No século XXI,pleno 2009,está ficando cada vez mais difícil se achar um guri que em virtude de separação
não tenha DOIS pais...O oficial e o "paralelo"... Nos anos 50/60,no século passado, era no mínimo estranho e se não éramos olhados de lado,era porque o observador estava distraído ...
Meu pai Oficial,era Sargento aposentado da Marinha do Brasil,fazer o quê,né?Quando completei sete
anos ,como filho único,já que minhas duas irmãs mais velhas nem chegaram ambas a completar o
primeiro aniversário e entregaram a alminha inocente ao Criador,o que acho uma tremenda sacanagem
Divina,meu pai,após 20 anos de feliz consórcio,sem brigas,sem desentendimentos nesse tempo todo,
"disse um verso bem bonito,disse adeus e foi-se embora",não literalmente,que retardado ele não era ...
A velha e absurda premissa de que "a- mulher- do- vizinho- é- sempre- mais- gostosa- que- a- nossa",
mais uma vez fez seus estragos,embora o marido da "outra",achasse a mesma coisa de "mamã",
não rolou uma troca de casais em 1956 (no máximo um "ménage a trois",cala-te boca venenosa...)
Fiquei sem pai por dois anos mais ou menos..."Aí apareceu o Senadooor",digo... aí apareceu o Paulo
José,açougueiro,mineiro,solteiro,canceriano,criado "no mundo",dez anos mais novo que "mamã",
carente de afeto,mas muito ajuizado e "doidim" prá ter uma família,mesmo que fôsse de "segunda
mão". Houve uma resistência-nem-tão-férrea-assim,por parte de "Jujú","mi madre",que de Almodóvar,não tinha nada ou tinha tudo,já que "nossa" vida naquela época era uma letra de Tango,
um lamento de Bolero,um Samba-Canção de Lupiscínio Rodrigues...
E curiosamente ao som de Nélson Gonçalves e Bievenindo Granda(quem não conhecer,não é pro-
blema meu ...) foi aceita a proposta de "vamos morar juntos",com o "aval-verbal" de Pai Jonas,que
numa conversa longa e penosa, acontecída uma semana antes,"permitiu",que a união fôsse efetuada,
vejam voces ...
O Paulo José era uma figura exuberante,no seu um metro e oitenta de altura,mulato claro,bochechas
de Dolores Duran,cabelo cortado "à-escovinha",bigodinho fino e fumante,conforme a moda dos anos 50 e que se
não chegava à época ser gor-do,era no máximo rechonchudo...
Eu,que no "primeiro reinado"era mimado e tratado como um Príncipe,por ter sido o ÚNICO que escapara de tomar a foiçada fatal da "Ceifadeira Implacável",no "mandato" do Paulão era tratado
como REI !!!Tudo me vinha à mão,num estalar de dedos,principalmente,quando o tópico era COMIDA ou LIVROS,já que o "P.J."era analfabeto(embora soubesse "fazer contas",muitíssimo
bem...)se "realizava",através do "meu moleque",que adorava LER e ESCREVER...
Tinha eu uma mesada semanal,que me garantia duas idas ao Cinema,no fim de semana,comprar um
livro de Monteiro Lobato e me esbaldar em sorvetes e doces-de-padaria e ...engordar "pácas"...
Fui condicionado a ser um "intelectual",desde o "mandato" anterior,em que só me era cobrado o ato
de es-tu-dar e não morrer(sic.)
(NÃO PERCAM !!! NO PRÓXIMO TEXTO- DE- "BLOG",SURGE MEU IRMÃO, PAULO
CÉSAR,13 ANOS MAIS NOVO QUE EU E HOJE A "MENTE MAIS BRILHANTE",QUE OS
DEUSES,ME PRESENTEARAM PRÁ ME FAZER O "METIDO- À- BESTA",QUE SOU HOJE...
OU NÃÃÃO...)
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
ALZIRA X OCTÁVIO
Sestroso,Octávio era...Sempre com seu terninho branco,chapéu quase novo,sapatos super engraxados e
cabelo "domado"por uma touca do Flamengo,(que era alta moda daqueles tempos...)que saia da cabeça,
quando o negão risonho,mas marrento,ia à rua em busca de cabrochas e paratí,sei lá se nessa ordem...
Alzira,minha avó ,de acordo com "a cartilha da época",era a parideira,a mãezona,a conformada com a
própria sina,pois "homem-é-assim-mesmo"...Já no quinto filho,da segunda união,que nasceram por que
DEUS quiz,acrescidos aos outros do relacionamento anterior,já formavam quase um time de futebol...
Os mais velhos "criavam"os mais novos e a vida seguia seu rumo meio torto e capenga...
Nunca se deixaram,apesar das brigas e desentendimentos constantes,no mais das vezes "incrementadas"pela "branquinha-marvada",a "água- que- passarinho- não- bebe"...
Claro está que a beleza de Alzirinha foi fenescendo,o corpo "cheinho"foi dando lugar à gordura pura
e simples e os compridos e belos cabelos se escondendo num coque que nunca se desfazia...
Como o marinheiro JONAS,meu pai com seus 23 anos feitos se enamorou de minha mãe,JUDITH
de ridículos e verdes 13 anos e pediu a mão da criança em casamento e nunca tinha ouvido falar em
cabelo "domado"por uma touca do Flamengo,(que era alta moda daqueles tempos...)que saia da cabeça,
quando o negão risonho,mas marrento,ia à rua em busca de cabrochas e paratí,sei lá se nessa ordem...
Alzira,minha avó ,de acordo com "a cartilha da época",era a parideira,a mãezona,a conformada com a
própria sina,pois "homem-é-assim-mesmo"...Já no quinto filho,da segunda união,que nasceram por que
DEUS quiz,acrescidos aos outros do relacionamento anterior,já formavam quase um time de futebol...
Os mais velhos "criavam"os mais novos e a vida seguia seu rumo meio torto e capenga...
Nunca se deixaram,apesar das brigas e desentendimentos constantes,no mais das vezes "incrementadas"pela "branquinha-marvada",a "água- que- passarinho- não- bebe"...
Claro está que a beleza de Alzirinha foi fenescendo,o corpo "cheinho"foi dando lugar à gordura pura
e simples e os compridos e belos cabelos se escondendo num coque que nunca se desfazia...
Como o marinheiro JONAS,meu pai com seus 23 anos feitos se enamorou de minha mãe,JUDITH
de ridículos e verdes 13 anos e pediu a mão da criança em casamento e nunca tinha ouvido falar em
pedofilia,casaram e foram morar em Nova Friburgo e era menos uma boca a sus-
tentar na casa dos Martins
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
"VÓ" ALZIRA ...
...E a nova vida de Dona Alzira,foi um Deus-nos-acuda,de novas e pesadas tarefas,que se desenvolviam
com a ajuda precária da filharada...
Ela se dizia "viúva",pois, nessa época,mulher sem marido era "muito mal vista"...
Naqueles finais dos anos 20 do século passado,o Rádio "engatinhava"e a Televisão nem se imaginava que iria um dia vir a existir.A grande atração,principalmente,nas noites de sábado eram as conversas ao
pé da fogueira,onde pontificavam os contadores de "causos" e histórias.
Pedro Malasartes,casos "verídicos"(que quem ouvia,jurava ser mentira...) histórias da Carochinha e
até o velho Bocage,desfilavam nas narrativas dos "bons de papo",enquanto batatas eram assadas nas
brasas,e rolava café e uma cachacinha,prá quem gostasse...
Aí foi que a bem da verdade,"começou" a minha história,pois numa bela noite eis que surge o negrão
Octávio,com suas narrativas atraentes e bem contadas,por uma voz forte,que de vez em quando,caso
houvesse algum violeiro na roda,arriscava uma seresta,já na quinta pinga...
A popularidade de Octávio era muito grande no Bairro de Ramos,subúrbio da Leoppoldina do Rio de
Janeiro,em virtude das virtudes já expostas e também porque era difícil passar despercebido um
armário de um metro e noventa de homem.
Num sábado,a noite de lua,foi encoberta por nuvens pesadas e os trovões e relampagos,fizeram a
festa no céu,porque na terra a festa,acabou por um lado e ao que tudo indica começou no outro,pois
minha avó morria de medo de raios e ribombos de tempestades...Adivinha,quem naquele dia dormiu
na esteira da sala,todo frajola e caprichando nos "causos"?"Êle"...
Mas apesar do clima propício,Alzira jurava que não rolou de primeira e sim depois de meses,de ajuda
de vovô,carregando as tinas pesadas e esfregando as roupas mais grossas e difíceis,pois êle ficou
como seu inquilino,ocupando um dos tres quartos da casa,pagando com serviços o aluguel...
Há de se ressaltar,que meu avô,tinha duas profissões: a Construção Civil e a Bebida ...
Quando, oficialmente,passaram a ser marido e mulher,vários irmãozinhos foram aparecendo,para
fazer companhia aos pimpolhos do primeiro casamento,entre êles Judith,minha mãe,que veio a conhecer Jonas meu pai,onde?Onde?Na tal fogueira dos contadores de histórias,pois meu velho era
um excelente narrador,marinheiro e amigão do Octávio,que se amarrava nos relatos do marujo...
Aí,já é outra saga,que qualquer dia eu conto ...
com a ajuda precária da filharada...
Ela se dizia "viúva",pois, nessa época,mulher sem marido era "muito mal vista"...
Naqueles finais dos anos 20 do século passado,o Rádio "engatinhava"e a Televisão nem se imaginava que iria um dia vir a existir.A grande atração,principalmente,nas noites de sábado eram as conversas ao
pé da fogueira,onde pontificavam os contadores de "causos" e histórias.
Pedro Malasartes,casos "verídicos"(que quem ouvia,jurava ser mentira...) histórias da Carochinha e
até o velho Bocage,desfilavam nas narrativas dos "bons de papo",enquanto batatas eram assadas nas
brasas,e rolava café e uma cachacinha,prá quem gostasse...
Aí foi que a bem da verdade,"começou" a minha história,pois numa bela noite eis que surge o negrão
Octávio,com suas narrativas atraentes e bem contadas,por uma voz forte,que de vez em quando,caso
houvesse algum violeiro na roda,arriscava uma seresta,já na quinta pinga...
A popularidade de Octávio era muito grande no Bairro de Ramos,subúrbio da Leoppoldina do Rio de
Janeiro,em virtude das virtudes já expostas e também porque era difícil passar despercebido um
armário de um metro e noventa de homem.
Num sábado,a noite de lua,foi encoberta por nuvens pesadas e os trovões e relampagos,fizeram a
festa no céu,porque na terra a festa,acabou por um lado e ao que tudo indica começou no outro,pois
minha avó morria de medo de raios e ribombos de tempestades...Adivinha,quem naquele dia dormiu
na esteira da sala,todo frajola e caprichando nos "causos"?"Êle"...
Mas apesar do clima propício,Alzira jurava que não rolou de primeira e sim depois de meses,de ajuda
de vovô,carregando as tinas pesadas e esfregando as roupas mais grossas e difíceis,pois êle ficou
como seu inquilino,ocupando um dos tres quartos da casa,pagando com serviços o aluguel...
Há de se ressaltar,que meu avô,tinha duas profissões: a Construção Civil e a Bebida ...
Quando, oficialmente,passaram a ser marido e mulher,vários irmãozinhos foram aparecendo,para
fazer companhia aos pimpolhos do primeiro casamento,entre êles Judith,minha mãe,que veio a conhecer Jonas meu pai,onde?Onde?Na tal fogueira dos contadores de histórias,pois meu velho era
um excelente narrador,marinheiro e amigão do Octávio,que se amarrava nos relatos do marujo...
Aí,já é outra saga,que qualquer dia eu conto ...
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
MINHA AVÓ ESTÁ DE VOLTA !
As histórias de minha avó a respeito de sua vida anterior,não eram muito minuciosas ...
Nós os netos sabíamos que sua mãe,nossa bisavó,havia morrido vítima de uma queda de uma escada
enquanto colhia olivas e o pai,com duas meninas e dois meninos para cuidar,não teve "peito" suficiente
para aguentar a prole,na Santa Terrinha e se mandou para o Brasil,sem o seu mais velho,que já trabalhava e se chamava Arthur,mas que curiosamente era brasileiroe fruto de um caso que aqui o
velho tivera e retornara para Portugal,por ocasião do falecimento de sua brasileirinha,se não me engano,
vítima da famosa gripe espanhola.O português estava portanto, em sua segunda viuvez ...
Minha avó era a mais nova das crianças,com seis anos de idade ... Aí,surje um hiato,como na vida de
Cristo,e só se sabia que o pai morreu,que "Vó" Alzira,se apaixonou por um paulista de Santos,do qual
cheguei a ver um retrato amarelado,que ostentava uns belíssimos bigodes retorcidos,como Olavo Bilac
e que curiosamente ,também se chamava Arthur e que com ela se casou ,tendo a donzela só quinze anos
e o noivo vinte e cinco e ninguém nem sabia o que era pedofilia,já que casórios nesse feitio eram prá
lá de normais nessa época ...
"Seu" Arthur,era comerciante de tecidos e começou a prosperar vendendo panos resistentes às fábricas para confecção
de uniformes e macacões,
O dinheiro,começava a entrar e proporcionar um nível de vida até invejável para a Família Martins e
já resultavam tres filhos desse enlace:Roberto,Isabel e Durvalina.Mas,dinheiro em mão de homem é
uma tentação,que leva quase sempre a outra mulher,que em geral raspa seus bens e faz o sujeito pirar
e se iludir... Aconteceu ... E foi brabo ... O homem se mandou para São Paulo e deixou Alzira,com tres
filhos prá criar.Justiça?Vara de Família?Advogado?Que nada...Só desorientação ...
E a brava Alzirinha,eclipsou sua vida de Madame em Lavadeira !
(CONTINUA ...)
Nós os netos sabíamos que sua mãe,nossa bisavó,havia morrido vítima de uma queda de uma escada
enquanto colhia olivas e o pai,com duas meninas e dois meninos para cuidar,não teve "peito" suficiente
para aguentar a prole,na Santa Terrinha e se mandou para o Brasil,sem o seu mais velho,que já trabalhava e se chamava Arthur,mas que curiosamente era brasileiroe fruto de um caso que aqui o
velho tivera e retornara para Portugal,por ocasião do falecimento de sua brasileirinha,se não me engano,
vítima da famosa gripe espanhola.O português estava portanto, em sua segunda viuvez ...
Minha avó era a mais nova das crianças,com seis anos de idade ... Aí,surje um hiato,como na vida de
Cristo,e só se sabia que o pai morreu,que "Vó" Alzira,se apaixonou por um paulista de Santos,do qual
cheguei a ver um retrato amarelado,que ostentava uns belíssimos bigodes retorcidos,como Olavo Bilac
e que curiosamente ,também se chamava Arthur e que com ela se casou ,tendo a donzela só quinze anos
e o noivo vinte e cinco e ninguém nem sabia o que era pedofilia,já que casórios nesse feitio eram prá
lá de normais nessa época ...
"Seu" Arthur,era comerciante de tecidos e começou a prosperar vendendo panos resistentes às fábricas para confecção
de uniformes e macacões,
O dinheiro,começava a entrar e proporcionar um nível de vida até invejável para a Família Martins e
já resultavam tres filhos desse enlace:Roberto,Isabel e Durvalina.Mas,dinheiro em mão de homem é
uma tentação,que leva quase sempre a outra mulher,que em geral raspa seus bens e faz o sujeito pirar
e se iludir... Aconteceu ... E foi brabo ... O homem se mandou para São Paulo e deixou Alzira,com tres
filhos prá criar.Justiça?Vara de Família?Advogado?Que nada...Só desorientação ...
E a brava Alzirinha,eclipsou sua vida de Madame em Lavadeira !
(CONTINUA ...)
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